quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Homens de plástico a preto e branco






Eles estão doidos!
Por António Barreto

"A meia dúzia de lavradores que comercializam directamente os seus produtos e que sobreviveram aos centros comerciais ou às grandes superfícies vai agora ser eliminada sumariamente. Os proprietários de restaurantes caseiros que sobram, e vivem no mesmo prédio em que trabalham, preparam-se, depois da chegada da fast food, para fechar portas e mudar de vida. Os cozinheiros que faziam a domicílio pratos e petiscos, a fim de os vender no café ao lado e que resistiram a toneladas de batatas fritas e de gordura reciclada, podem rezar as últimas orações. Todos os que cozinhavam em casa e forneciam diariamente, aos cafés e restaurantes do bairro, sopas, doces, compotas, rissóis e croquetes, podem sonhar com outros negócios. Os artesãos que comercializam produtos confeccionados à sua maneira vão ser liquidados. A solução final vem aí.
Com a lei, as políticas, as polícias, os inspectores, os fiscais, a imprensa e a televisão. Ninguém, deste velho mundo, sobrará.
Quem não quer funcionar como uma empresa, quem não usa os computadores tão generosamente distribuídos pelo país, quem não aceita as receitas harmonizadas, quem recusa fornecer-se de produtos e matérias-primas industriais e quem não quer ser igual a toda a gente, está condenado.
Estes exércitos de liquidação são poderosíssimos: têm Estado-maior em Bruxelas e regulam-se pelas directivas europeias elaboradas pelos mais qualificados cientistas do mundo; organizam-se no governo nacional, sob tutela carismática do Ministro da Economia e da Inovação, Manuel Pinho; e agem através do pessoal da ASAE, a organização mais falada e odiada do país, mas certamente a mais amada pelas multinacionais da gordura, pelo cartel da ração e pelos impérios do açúcar.
Em frente à faculdade onde dou aulas, há dois ou três cafés onde os estudantes, nos intervalos, bebem uns copos, conversam, namoram e jogam às cartas ou ao dominó. Acabou! É proibido jogar!
Nas esplanadas, a partir de Janeiro, é proibido beber café em chávenas de louça, ou vinho, águas, refrigerantes e cerveja em copos de vidro. Tem que ser em copos de plástico.
Vender, nas praias ou nas romarias, bolas de Berlim ou pastéis de nata que não sejam industriais e embalados? Proibido.
Nas feiras e nos mercados, tanto em Lisboa e Porto, como em Vinhais ou Estremoz, os exércitos dos zeladores da nossa saúde e da nossa virtude fazem razias semanais e levam tudo quanto é artesanal: azeitonas, queijos, compotas, pão e enchidos.
Na província, um restaurante artesanal é gerido por uma família que tem, ao lado, a sua horta, donde retira produtos como alfaces, feijão verde, coentros, galinhas e ovos? Acabou. É proibido. Embrulhar castanhas assadas em papel de jornal? Proibido. Trazer da terra, na estação, cerejas e morangos? Proibido. Usar, na mesa do restaurante, um galheteiro para o azeite e o vinagre é proibido. Tem que ser garrafas especialmente preparadas. Vender, no seu restaurante, produtos da sua quinta, azeite e azeitonas, alfaces e tomate, ovos e queijos, acabou. Está proibido. Comprar um bolo-rei com fava e brinde porque os miúdos acham graça? Acabou. É proibido. Ir a casa buscar duas folhas de alface, um prato de sopa e umas fatias de fiambre para servir uma refeição ligeira a um cliente apressado? Proibido. Vender bolos, empadas, rissóis, merendas e croquetes caseiros é proibido. Só industriais. É proibido ter pão congelado para uma emergência: só em arcas especiais e com fornos de descongelação especiais, aliás caríssimos.
Servir areias, biscoitos, queijinhos de amêndoa e brigadeiros feitos pela vizinha, uma excelente cozinheira que faz isto há trinta anos? Proibido.
As regras, cujo não cumprimento leva a multas pesadas e ao encerramento do estabelecimento, são tantas que centenas de páginas não chegam para as descrever. Nas prateleiras, diante das garrafas de Coca-Cola e de vinho tinto tem de haver etiquetas a dizer Coca-Cola e vinho tinto. Na cozinha, tem de haver uma faca de cor diferente para cada género. Não pode haver cruzamento de circuitos e de géneros: não se pode cortar cebola na mesma mesa em que se fazem tostas mistas. No frigorífico, tem de haver sempre uma caixa com uma etiqueta produto não válido, mesmo que esteja vazia. Cada vez que se corta uma fatia de fiambre ou de queijo para uma sanduíche, tem de se colar uma etiqueta e inscrever a data e a hora dessa operação. Não se pode guardar pão para, ao fim de vários dias, fazer torradas ou açorda. Aproveitar outras sobras para confeccionar rissóis ou croquetes? Proibido. Flores naturais nas mesas ou no balcão? Proibido. Têm de ser de plástico, papel ou tecido. Torneiras de abrir e fechar à mão, como sempre se fizeram? Proibido. As torneiras nas cozinhas devem ser de abrir ao pé, ao cotovelo ou com célula fotoeléctrica. As temperaturas do ambiente, no café, têm de ser medidas duas vezes por dia e devidamente registadas. As temperaturas dos frigoríficos e das arcas têm de ser medidas três vezes por dia, registadas em folhas especiais e assinadas pelo funcionário certificado. Usar colheres de pau para cozinhar, tratar da sopa ou dos fritos? Proibido.
Tem de ser de plástico ou de aço. Cortar tomate, couve, batata e outros legumes? Sim, pode ser. Desde que seja com facas de cores diferentes, em locais apropriados das mesas e das bancas, tendo o cuidado de fazer sempre uma etiqueta com a data e a hora do corte.
O dono do restaurante vai de vez em quando abastecer-se aos mercados e leva o seu próprio carro para transportar uns queijos, uns pacotes de leite e uns ovos? Proibido. Tem de ser em carros refrigerados.
Tudo isto, como é evidente, para nosso bem. Para proteger a nossa saúde. Para modernizar a economia. Para apostar no futuro. Para estarmos na linha da frente. E não tenhamos dúvidas: um dia destes, as brigadas vêm, com estas regras, fiscalizar e ordenar as nossas casas. Para nosso bem, pois claro."

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Nostalgia :-)

Num país cheio de côr, nasceu um dia uma abelha...


terça-feira, 4 de dezembro de 2007

O espinhos têm rosas




Luz Sombra







Perfeição






Prazer







Pureza


Tesouro







Transformação







Crescimento


Intuição

Sintonia


Sentidos
Emoções
Revelações










O véu torna-se menos espesso...









Cristalizar
Permanecer
Eternidade
Todo

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Verdade

Questiono muitas vezes o modo como vejo o que me rodeia, questiono sempre as minhas atitudes perante o que me rodeia, mas há uma verdade incontornável, da qual é impossível fugir, com uma força absoluta, inquestionável, que não pode ser fruto de ilusão, que nos faz ficar mais lúcidos e com todos os sentidos mais apurados, mais centrados, mais direccionados para aquilo que é importante, essencial. Uma verdade que é propriamente e somente tudo o que importa. Uma verdade que é princípio essencial da Vida, sua protecção e sustento. Uma verdade onde não pode haver erro, pois é apenas caminho e luz.

A perfeição existe na única verdade que aceito como absoluta:

o Amor.

Obrigada Amor por tudo o que me ofereces! Que eu seja a cada momento mais digna de receber a Tua dádiva!

Adiar...

Na minha vida tenho adiado por diversas vezes muitas coisas e hoje chego à conclusão que sempre que o faço perco uma oportunidade.
Cheguei ao ponto de que o momento é agora, para ser vivido e saboreado em cada detalhe, até ao mais ínfimo pormenor. Sempre que digo talvez ainda não seja a altura de dizer ou fazer isto ou aquilo apercebo-me que por detrás disto está sempre o medo de aprofundar as relações com quem me rodeia... E penso em qual terá sido o momento em que me deixei condicionar assim, que me limitei deste modo os movimentos, a evolução. E isto, meus amigos, é deixar que o medo nos encolha e nos prenda. E vamos deixando de tomar decisões e adiando atitudes e o tempo que nos foi concedido vai passando. Será que ainda alguma vez fazemos exactamente o que nos apetecia fazer? Alguma vez vamos exactamente pelo caminho que queremos? Estaremos dispostos a acordar e a sofrer as consequências imediatas das nossas escolhas e a aceitar essa responsabilidade?
Eu escolho ser feliz. Escolho quebrar barreiras, construir pontes, criar raízes e laços. Escolho deixar que a vida me toque, me molde, me faça voar de alegria e sofrer também. Escolho ouvir esta voz cá dentro que me faz acreditar que é possível, que a causa de tudo vale a pena. Escolho aceitar. Escolho aprender a amar cada vez mais e melhor. E escolho agora, nem cedo nem tarde, mas no momento certo, com a única certeza de que só vale a pena viver assim, sem pressa mas intensamente, na totalidade.


O meu maior medo quando penso nas decisões que não tomo, nas emoções que não vivo, é o de já ter morrido e não saber ainda.

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Dance me...

"Dance me to your beauty with a burning violin
Dance me through the panic 'til I'm gathered safely in
Lift me like an olive branch and be my homeward dove
Dance me to the end of love
Dance me to the end of love
Oh let me see your beauty when the witnesses are gone
Let me feel you moving like they do in Babylon
Show me slowly what I only know the limits of
Dance me to the end of love
Dance me to the end of love
Dance me to the wedding now, dance me on and on
Dance me very tenderly and dance me very long
We're both of us beneath our love, we're both of us above
Dance me to the end of love
Dance me to the end of love
Dance me to the children who are asking to be born
Dance me through the curtains that our kisses have outworn
Raise a tent of shelter now, though every thread is torn
Dance me to the end of love
Dance me to your beauty with a burning violin
Dance me through the panic till I'm gathered safely in
Touch me with your naked hand or touch me with your glove
Dance me to the end of love
Dance me to the end of love
Dance me to the end of love"

LEONARD COHEN - Dance Me To The End Of Love
[www.azlyrics.com]

Eclipse

Quando o SOL e a LUA se encontraram pela primeira vez, apaixonaram-se perdidamente e a partir daí começaram a viver um grande amor. Acontece que o mundo ainda não existia e no dia que Deus resolveu criá-lo, deu-lhes então o toque final... o brilho!

Ficou também decidido que o Sol iluminaria o dia e que a Lua iluminaria a noite. Sendo assim, seriam obrigados a viverem separados.
Abateu-se sobre eles uma grande tristeza quando tomaram conhecimento de que nunca mais se encontrariam. A LUA foi ficando cada vez mais amargurada, mesmo com o brilho que Deus lhe havia dado e foi-se tornando solitária. O SOL, por sua vez, havia ganho um título de nobreza "ASTRO REI", mas isso também não o fez feliz.
Deus então chamou-os e explicou-lhes: - Vocês não devem ficar tristes. Ambos agora já possuem um brilho próprio.

Tu Lua, iluminarás as noites frias e as quentes, encantarás os enamorados e serás diversas vezes motivo de poesias.

Quanto a ti Sol, sustentarás esse título porque serás o mais importante dos astros, iluminarás a terra durante o dia, fornecerás calor para o ser humano e a tua simples presença fará as pessoas mais felizes.

A LUA entristeceu-se muito com seu terrível destino e chorou dias a fio... Já o SOL, ao vê-la sofrer tanto, decidiu que não poderia deixar-se abater pois teria que dar-lhe forças e ajudá-la a aceitar o que havia sido decidido por Deus.

No entanto, a sua preocupação era tão grande que resolveu fazer um pedido: - Senhor, ajuda a LUA por favor, ela é mais frágil do que eu, não suportará a solidão... E Deus, em sua imensa bondade, criou então as estrelas para lhe fazerem companhia.

A LUA sempre que está muito triste recorre às estrelas, que fazem de tudo para consolá-la, mas nem sempre conseguem. Hoje eles vivem assim, separados, o SOL finge que é feliz, a LUA não consegue esconder que é triste.

O SOL ainda ferve de paixão pela LUA e ela ainda vive na escuridão da saudade. Dizem que a ordem de Deus era que a LUA deveria ser sempre cheia e luminosa, mas ela não consegue, porque é mulher e uma mulher tem fases. Quando feliz consegue ser cheia mas quando infeliz é minguante e quando minguante nem sequer é possível ver o seu brilho.

LUA e SOL seguem seu destino, ele solitário mas forte, ela acompanhada das estrelas mas fraca.

Os Humanos tentam a todo instante conquistá-la, como se isso fosse possível. Uma vez por outra alguns deles vão até ela e voltam sempre sozinhos, nenhum deles jamais conseguiu trazê-la até à terra, nenhum deles realmente conseguiu conquistá-la, por mais que achem que sim.

Acontece que Deus decidiu que nenhum amor neste mundo seria de todo impossível, nem mesmo o da LUA e o do SOL. Foi aí então que ele criou o eclipse.
SOL e LUA vivem da espera desse instante, desses raros momentos que lhes foram concedidos e que custam tanto a acontecer.

Quando olhares para o céu a partir de agora e vires que o SOL encobriu a LUA é porque ele se deitou sobre ela e começaram a fazer amor e é ao acto desse amor que se deu o nome de eclipse.O brilho do êxtase deles é tão grande que se aconselha não olhar para o céu nesse momento, pois os olhos podem cegar de ver a plenitude de tanto amor...

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Manifesto das Crianças de Luz


Por favor, estejam atentos e não as limitem... Elas só precisam do nosso respeito e amor incondicional para nos ensinarem tanto... A nossa escolha só pode ser amá-las e esperar que a transformação se dê... Obrigada Seres de luz...


"Nós, as Crianças de Luz, declaramos agora a independência de nossas almas.

Estamos livres de todo o sofrimento humano, bem como das limitações, das expectativas e da velhas estruturas e crenças limitadoras do passado.

Reconhecemos, dentro de nós mesmas, que somos líderes de um novo mundo, promovendo a unicidade e o crescimento do espírito humano na direção da iluminação....

Agora, trabalhamos para criar e reforçar a consciência da humanidade como um todo, ao invés de individualmente...

Permitiremos que todos os véus sejam rasgados, para que nos tornemos completamente conscientes de nosso propósito de ser...

Declaramos que estamos livres para nos tornarmos unas com a Fonte e que toda a vida é uma experiência na direção de um objetivo simples.

Pensamos que a vida, a liberdade e a busca da felicidade incluem a liberdade de nossas almas em todos os níveis.

Vivemos em amor ilimitado e incondicional, sem fronteiras, limites ou expectativas.

Declaramos que somos o Amor Divino e somos capazes de receber amor de todas as formas e seres, pois, à medida que compartilhamos esse amor com a Humanidade e com toda a criação, os pensamentos e emoções negativas são transmutados em Luz.

Reconhecemos que somos 100% responsáveis por nós mesmas e sentimos e expressamos nosso ser divino, inteiramente, a todo momento.

Além de responsáveis, somos um exemplo em movimento para os outros, pois através de nosso exemplo de Deus em ação, muitos aprenderão que, para ser felizes e completos, deverão reconhecer Deus dentro de si mesmos e assim iniciar seus processos internos de crescimento para a iluminação.

Cada uma de nós, Crianças de Luz, é parte de um Todo.

Cada uma é parte da família divina e assim sendo, somos todas irmãs e irmãos numa grande ordem universal.

Aquilo que cada um faz afeta a todos os outros, mas, não estamos aqui para julgar e sim para compreender a liberdade de todas as almas que vão aprendendo suas lições da maneira que escolheram. Assim sendo, honramos e aceitamos essas escolhas.

Nós, as Crianças de Luz, reconhecemos que não podemos modificar o passado e não precisamos nos preocupar com o futuro. Ao vivermos cada momento, estamos criando o próximo momento, e, assim criamos nosso próprio futuro.

Agora, perdoamos o passado e todos aqueles que nos causaram dor de alguma maneira. A dor não nos serve mais, pois só limita o nosso crescimento espiritual. Por meio do perdão, ficamos livres...

Também somos unas com todos os reinos e com todos os lugares pois somos parte da mente universal.

Por meio desse manifesto, cada um de nós torna-se livre."

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Para além da matéria...


Caminho agora com a certeza de que vale a pena ter fé numa força maior, que nos transcende e nos conduz ao sítio certo no momento certo. O Universo terá sempre resposta para as nossas necessidades. Basta confiar, aceitar receber a energia cósmica e agradecer a oportunidade de cura, de crescimento, de evolução. Obrigada.

"Amor de corpo inteiro. Um amor que transcende, transpira, transborda. Amor com mãos e pés. Com dedos, braços, pernas, barriga, pele e abraços. Um amor que surpreende, sem nada inventar, sem precisar exagerar, sem ter que sempre entender. Simplesmente ser... preencher, existir!
Amor que não investiga, que não desconfia, que não acusa.
Amor de palavras, mas também de silêncio. Um silêncio que aquieta o coração, que acaricia a alma e alivia as dores!
Amor que esvazia, que abre espaço, que permite.
Amor sem regras, sem pressões, sem chantagens.
Amor que faz crescer.
Amor de gente grande, de coração gigante, de alma transparente.
Amor que permanece. De mim para mim, de mim para você, de você para mim.
Amor que invade respeitando, que adentra acariciando, que ocupa com leveza.
Amor sem ego. Que acolhe, perdoa, reconhece.
Amor que desconhece para conhecer, que nunca lembra porque não esquece!
Amor que é... assim, sem mais nem menos, sem eira nem beira, sem quê nem porquê. Simplesmente simples, despretensioso, descontraído, desmedido.
De uma simplicidade tão óbvia que arrasta, que envolve, que derrete.
De uma fluidez tão líquida que escorre, desliza, que não endurece.
Amor que não se pede, que não se dá, porque já é! Para nunca precisar procurar, para nunca correr o risco de encontrar, porque já está!!!
E o que quer que ainda possa surgir... bobagem! Apenas crescimento e aprendizagem...Volta para casa, não se vá!
Fique, permita-se, entregue-se, comprometa-se!
Simplesmente amor... Você consegue?!?"
do livro "Faça o Amor Valer a Pena", de Rosana Braga .

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Fogo e Água


"Ontem, olhei pra ti, virei-te do avesso, vi o teu lado animal... e gostei do que vi. Arrisquei que descobrisses quem sou, mergulhei nas profundezas da tua água e deixei que me embalasses nas ondas desse mar sereno e revolto que és. Perdi-me pra te encontrar, encontrei-me assim, dissolvida em ti." por Haaiah Seuqirneh, em "Tu e eu".

domingo, 18 de novembro de 2007

Feng Shui de Outono

Na semana passada deu-me uma vontade súbita de pintar umas paredes cá em casa e vai daí fui comprar tintas e só me deu pra comprar laranja, vermelho, amarelo... e quando dei por mim tinha um sol enorme em laranja e amarelo torrado na sala... o vermelho ainda não usei...
Hoje, li isto: "Conforme as horas luminosas do dia vão encurtando e o tempo se torna mais fresco, o ser humano começa instintivamente a virar-se para dentro e sente-se inclinado a passar mais tempo em casa. Mesmo em locais mais quentes do globo se nota uma mudança quando a roda sazonal passa pelo Outono. Esta estação é a altura natural de limpar aquilo que nos prende e ficarmos mais sintonizados com os ritmos da natureza.O Outono refere-se ao elemento metal, aos pulmões e intestino grosso, assim como às emoções de perca e angústia. Enquanto entramos nesta estação, aqui estão alguns princípios do Feng Shui a ter em consideração:. Ter em atenção o elemento Metal, verificar todas as fronteiras entre a sua casa e o mundo lá fora. Deve ser verificada a força e integridade de portões e vedações. Repare quaisquer janelas e portas que não vedem correctamente. Se a sua casa necessita de uma camada de pintura no exterior, ainda vai a tempo de o fazer antes que chegue o tempo frio e húmido!. De acordo com a teoria dos cinco elementos, a Terra é a mãe do Metal, assim cuidamos da Terra para alimentarmos o metal. Adiccione as cores laranja e amarelo dourado ao seu ambiente, certifique-se de que as suas plantas verdes estão saudáveis e a desenvolver-se, ofereça à sua casa um cristal ou pedra.. Para proteger os pulmões nos próximos meses, certifique-se que os seus ventiladores a quente estão limpos de pó e cotão. Se necessário, limpe a chaminé. Fórmulas herbais que contenham Astragalus e Equinácea podem ser úteis para proteger os pulmões e o exercício respiratório também pode ser uma boa modalidade de cura nesta estação.. Finalmente, é a altura do ano mais auspiciosa para usar difusores de óleos essenciais de pinheiro, limão e eucalipto.Dica de http://www.tranquilspaces.com"

sábado, 10 de novembro de 2007

Tai, Tai... à Tai! Tatai!





A Matilde adora os nossos gatos, a Tai e o Shen, sendo que para ela são os dois Tai, assim como todos os animais com que se cruza, sejam gatos, cães, patos... Começa logo "Tai, Tai... à Tai! Tatai!" que é como quem diz Tai, Tai, ó Tai! Tatai! e acena com a mãozita a dizer anda cá...


Pra quem não conhece, este é o Shen:











E esta é a Tai:

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Estarás sempre aqui...


"Um dia disse que não te entendia mas que te aceitava, hoje digo que te aceito e te entendo porque a vida se encarregou, como sempre o faz, de me fazer andar uns tempos com os teus sapatos calçados...

E de repente dá-me uma vontade enorme de te pedir que me abraces mais uma vez antes de partires... porque agora sei que não há outra forma e que ambos temos de ir... tu no teu caminho, eu no meu caminho... Não choro nem te imploro que fiques porque já vivemos o que tinha que ser vivido pra lá de todo o entendimento racional.

Para sempre a recordação de levantar vôo, de deixar de saber onde acabava e onde começavas... aquele nosso abraço, o nosso mundo, a nossa dimensão...

Contra tudo e contra todos hei-de amar-te sempre, cada dia mais um bocadinho... hei-de ser livre de o fazer como sou livre de ir e de te deixar partir assim... como fomos livres de nos darmos sem nunca nos prendermos...

Um dia não soubemos fazer as coisas tão bem como queríamos. Fizemos loucuras por um sentir irresistível. Agora que te foste e que és parte de mim sei como sabias tantas coisas que só agora entendo...

Ambos aprendemos e ensinámos aquilo que só se transmite com o coração e que apenas quem se une assim entende... sem desculpas, sem justificações, sem explicações... apenas dar e receber... aceitar e agradecer... tal qual sabíamos, tal qual éramos... e agora somos outros...

Um dia defendi-te por te amar, hoje defendo-te apenas pelo teu direito de seres como és. Irei contigo, estarás sempre aqui."

por Haaiah Seuqirneh, em "Tu e eu"

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Dádivas...

Há algum tempo que ando pra pôr aqui este texto. Não é que seja novo mas cada vez faz mais sentido. Aqui fica...

"E uma mulher que carregava o filho nos braços disse:
- Fala-nos das crianças.
E ele disse:
- Vossos filhos não são vossos filhos... São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma. Vêm através de vós, mas não de vós. E embora vivam convosco, não vos pertencem.
Podeis dar-lhes o vosso amor, mas não as vossas ideias,pois eles possuem as suas próprias ideias.
Podeis abrigar seus corpos, mas não as suas almas, pois as suas almas habitam nas moradas do amanhã, que nem nos vossos sonhos podeis visitar.´
Podeis esforçar-vos para vos tornardes como eles, mas não procureis torná-los como vós, pois a vida não vive no passado nem no ontem se detém.
Vós sois os arcos de onde, como flechas vivas, os vossos filhos serão lançados.
O Arqueiro vê a presa no percurso do infinito e dispara com toda a força para que as suas flechas partam ligeiras e cheguem longe.
Que a vossa inflexão na mão do arqueiro se destine à alegria;
Pois tal como ele ama a flecha que voa, ama também o arco que é estável."

por Kahlil Gibran, em "O Profeta"

De volta!

Pois é, quando, depois de meses de ausência, já ninguém esperava, voltei, que nem D. Sebastião em dia de nevoeiro... Descansem aqueles que já sabem a história do princepezinho de cor eheheh... Isto de ser trabalhadora-estudante e mãe tem que se lhe diga... Mas vou tentar pôr as novidades em dia... Se bem que isto parece que só tem tendência a piorar agora que a Matilde já anda e já sabe abrir portas e gavetas...

1º aniversário da Matilde




A Matilde comemorou o seu primeiro ano de vida fora da barriga no dia 29 de Setembro. No dia 30 houve festa rija, como não podia deixar de ser. Obrigadas a todos os que estiveram presentes, tanto aos que puderam estar fisicamente como àqueles que só estiveram em pensamento!
Por falar em presentes... A Matilde teve uma ajuda preciosa para os desembrulhar ;-)

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007

Dedicado a todos aqueles que se dão ao trabalho de me cativar e me dão a honra de os cativar de volta...

(...)
Foi então que apareceu a raposa.
- Olá, bom dia! - disse a raposa.
- Olá, bom dia! - respondeu delicadamente o principezinho, que se voltou mas não viu ninguém.
- Estou aqui - disse a voz - Debaixo da macieira.
- Quem és tu? - perguntou o principezinho - És bem bonita...
- Sou uma raposa - disse a raposa.
- Anda brincar comigo - pediu-lhe o principezinho - Estou tão triste...
- Não posso ir brincar contigo - disse a raposa - Ninguém me cativou...
- AH! Então, desculpa! - disse o principezinho.
Mas pôs-se a pensar, a pensar, e acabou por perguntar:
- O que é que "cativar" quer dizer?
- Vê-se logo que não és de cá - disse a raposa - De que é que tu andas à procura?
- Ando à procura dos homens - disse o principezinho - O que é que "cativar" quer dizer?
- Os homens têm espingardas e passam o tempo a caçar - disse a raposa - É uma grande maçada! E também fazem criação de galinhas! Aliás, na minha opinião, é a única coisa interessante que eles têm. Andas à procura de galinhas?
- Não - disse o principezinho - Ando à procura de amigos. O que é que "cativar" quer dizer?
- É a única coisa que toda a gente se esqueceu - disse a raposa - Quer dizer que se está ligado a alguém, que se criaram laços com alguém.
- Laços?
- Sim, laços - disse a raposa - Ora vê: por enquanto, para mim, tu não és senão um rapazinho perfeitamente igual a outros cem mil rapazinhos. E eu não preciso de ti. E tu também não precisas de mim. Por enquanto, para ti, eu não sou senão uma raposa igual a outras cem mil raposas. Mas, se tu me cativares, passamos a precisar um do outro. Passas a ser único no mundo para mim. E, para ti, eu também passo a ser única no mundo...
- Parece-me que estou a começar a perceber - disse o principezinho. - Sabes, há uma certa flor...tenho a impressão que estou preso a ela...
- É bem possivel - disse a raposa. - Vê-se cada coisa cá na Terra...
- Oh! Mas não é da Terra! - disse o principezinho.
A raposa pareceu ficar muito intrigada.
- Então, é noutro planeta?
- É.
- E nesse tal planeta há caçadores?
- Não.
- Começo a achar-lhe alguma graça...E galinhas?
- Não.
- Não há bela sem senão...- disse a raposa.
Mas a raposa voltou a insistir na sua ideia:
- Tenho uma vida terrivelmente monótona. Eu, caço galinhas e os homens, caçam-me a mim. As galinhas são todas iguais umas às outras e os homens são todos iguais uns aos outros. Por isso, às vezes, aborreço-me um bocado. Mas, se tu me cativares, a minha vida fica cheia de sol. Fico a conhecer uns passos diferentes de todos os outros passos. Os outros passos fazem-me fugir para debaixo da terra. Os teus hão-de chamar-me para fora da toca, como uma música. E depois, olha! Estás a ver, ali adiante, aqueles campos de trigo? Eu não como pão e, por isso, o trigo não me serve de nada. Os campos de trigo não me fazem lembrar de nada. E é uma triste coisa! Mas os teus cabelos são da cor do ouro. Então, quando eu estiver presa a ti, vai ser maravilhoso! Como o trigo é dourado, há-de fazer-me lembrar de ti. E hei-de gostar do barulho do vento a bater no trigo...
A raposa calou-se e ficou a olhar durante muito tempo para o principezinho.
- Por favor...Prende-me a ti! - acabou finalmente por dizer.
- Eu bem gostava - respondeu o principezinho - mas não tenho muito tempo. Tenho amigos para descobrir e uma data de coisas para conhecer...
- Só conhecemos as coisas que prendemos a nós - disse a raposa. - Os homens, agora, já não têm tempo para conhecer nada. Compram as coisas já feitas nos vendedores. Mas como não há vendedores de amigos, os homens já não têm amigos. Se queres um amigo, cativa-me!
- E o que é que é preciso fazer? - perguntou o principezinho.
- É preciso ter muita paciência. Primeiro, sentas-te um bocadinho afastado de mim, assim, em cima da relva. Eu olho para ti pelo canto do olho e tu não me dizes nada. A linguagem é uma fonte de mal entendidos. Mas todos os dias te podes sentar um bocadinho mais perto...
O principezinho voltou no dia seguinte.
- Era melhor teres vindo à mesma hora - disse a raposa - Se vieres, por exemplo, às quatro horas, às três, já eu começo a ser feliz. E quanto mais perto for da hora, mais feliz me sentirei. Às quatro em ponto já hei-de estar toda agitada e inquieta: é o preço da felicidade! Mas se chegares a uma hora qualquer, eu nunca saberei a que horas é que hei-de começar a arranjar o meu coração, a vesti-lo, a pô-lo bonito... São precisos rituais.
- O que é um ritual? - perguntou o principezinho.
- Também é uma coisa de que toda a gente se esqueceu - respondeu a raposa. - É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias e uma hora, diferente das outras horas. Os meus caçadores, por exemplo, têm um ritual, à quinta-feira, vão ao baile com as raparigas da aldeia. Assim, a quinta-feira é um dia maravilhoso. Eu posso ir passear para as vinhas. Se os caçadores fossem ao baile num dia qualquer, os dias eram todos iguais uns aos outros e eu nunca tinha férias.
Foi assim que o principezinho cativou a raposa. E quando chegou a hora da despedida:
- Ai! - exclamou a raposa - Ai que me vou pôr a chorar...
- A culpa é tua - disse o principezinho.- Eu bem não queria que te acontecesse mal nenhum, mas tu quiseste que eu te prendesse a mim...
- Pois quis - disse a raposa.
- Mas agora vais-te pôr a chorar! - disse o principezinho.
- Pois vou - disse a raposa.
- Então não ganhaste nada com isso!
- Ai isso é que ganhei! - disse a raposa. - Por causa da cor do trigo...
Depois acrescentou:
- Anda, vai ver outra vez as rosas. Vais perceber que a tua é única no mundo. Quando vieres ter comigo, dou-te um presente de despedida: conto-te um segredo.
O principezinho lá foi ver as rosas outra vez.
- Vocês não são nada parecidas com a minha rosa! Vocês ainda não são nada - disse-lhes ele. - Não há ninguém preso a vocês e vocês não estão presas a ninguém. Vocês são como a minha raposa era. Era uma raposa perfeitamente igual a outras cem mil raposas. Mas eu tornei-a minha amiga e, agora, ela é única no mundo.
E as rosas ficaram bastante incomodadas.
- Vocês são bonitas, mas vazias - ainda lhes disse o principezinho - Não se pode morrer por vocês. Claro que, para um transeunte qualquer, a minha rosa é perfeitamente igual a vocês. Mas, sozinha, vale mais do que vocês todas juntas, porque foi a que eu reguei. Porque foi a ela que eu pus debaixo de uma redoma. Porque foi ela que eu abriguei com o biombo.. Porque foi a ela que eu matei as lagartas (menos duas ou três, por causa das borboletas). Porque foi a ela que eu vi queixar-se, gabar-se e até, às vezes, calar-se. Porque ela é a minha rosa.
E então voltou para o pé da raposa e disse:
- Adeus...
- Adeus - disse a raposa - Vou-te contar o tal segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos...
- O essencial é invisível para os olhos - repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer.
- Foi o tempo que tu perdeste com a tua rosa que tornou a tua rosa tão importante.
- Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa... - repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer.
- Os homens já se esqueceram desta verdade - disse a raposa. - Mas tu não te deves esquecer dela. Ficas responsável para todo o sempre por aquilo que cativas. Tu és responsável pela tua rosa...
- Sou responsável pela minha rosa... - repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer." Antoine de Saint-Exupéry, O Princepezinho

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

domingo, 4 de fevereiro de 2007

O nascimento da Matilde

Hoje, 4 meses e seis dias após o nascimento da Matilde consegui terminar a primeira versão do que foi a gravidez e o parto... Têm sido dias atribulados com muitas alterações e havia tanto mais para dizer... mas aqui fica o relato possível.

O antes...
Há alguns anos atrás comecei a sentir o apelo da Natureza no feminino, aquele que em dada altura da vida de todas as fêmeas sussurra cá dentro para dizer que nos sentimos como que incompletas porque não passámos pela experiência de ser mãe. E fui adiando por uma ou outra razão destas que a vida moderna inventou e que muitas vezes nos levam a adiar os sonhos.
Por altura do Natal de 2005 a Natureza arranjou caminho e, contrariando mais um adiamento, surgiu dentro de mim a luzinha da estrela que é hoje a Matilde. E eu iniciei a linda viagem de uma gravidez que terminou no dia 29 de Setembro de 2006.
Um dia, logo no início da gravidez, em conversa com uma amiga ela perguntou-me se iria ter a criança no hospital. Eu achei estranha a pergunta, nunca me tinha questionado... Era assim que se fazia, não? Mas ela respondeu-me se achava que seria uma boa experiência para mim e para o bebé e aquilo ficou cá a moer... Fui para a Internet pesquisar... partos dentro de água, partos naturais, humanização do parto... e é aí que surge o nome Doula... e que descubro que ainda existem parteiras!!!
Num outro dia um amigo dá-me um folheto de um site onde se vendiam fraldas de pano, a bem da ecologia... Nesta altura já tinha lido umas coisas e formava-se dentro de mim uma certeza de que queria que o meu bebé nascesse no nosso cantinho. Conto-lhe que estava a considerar encontrar uma Doula e uma parteira e ele diz-me que aquele site é de um casal amigo e que ela é Doula...
Contactos trocados, combinámos um encontro e a empatia é imediata... é assim que surge na nossa vida a minha Doula, a minha querida Lia... (apesar de ela me ter perguntado na altura se era ela que eu queria, se não queria escolher outra... eheh)
A minha família ficou um pouco preocupada quando lhes anunciei que ia parir em casa mas depois de lhes dizer os porquês não só aceitaram como entenderam e tive o seu apoio constante.
Só consegui falar com a médica sobre a minha decisão às 34 semanas. Ela ficou preocupada com a minha decisão mas respeitou-a, dizendo-me o que pensava serem os prós e os contras e mostrou-se disponível para estar no hospital caso eu precisasse de ir para lá e também de evitar as intervenções dentro da medida do possível. Aqui percebi a falta de liberdade dos médicos e a pressão a que ela está sujeita no hospital para seguir um protocolo tantas vezes inadequado. E senti que ela me teria acompanhado em casa se não fosse o medo das represálias. Percebi também o que significava os médicos terem deixado de acreditar no poder que as mulheres têm para terem as suas crias sem intervenção. Entretanto já tinha escolhido a D. Glória para parteira. E fui sendo seguida por ela e pela minha obstetra. A D. Glória mostrou-se confiante desde o início.
Isto para dizer que o Universo me foi trazendo como que em ondas do acaso a oportunidade de viver em plenitude o nascimento da minha menina.
Como me sentia bem e sempre achei que gravidez não é doença continuei a fazer a minha vida aceleradíssima de trabalho de dia e curso à noite. Logo às 22 semanas de gravidez senti umas contracções que foram o aviso da Matilde a dizer que precisava mais de mim e que eu tinha que abrandar. Assim, o resto da gravidez estive quase sempre de baixa, o que me permitiu dar muita atenção à nossa barriguinha a crescer e também consegui aproveitar para descansar, ir à praia (com os grandes amigos João e Márcia que acompanharam a minha gravidez de perto e entretanto levaram injecções sobre as coisas mais variadas sobre gravidez e parto e bebés em geral :-P), passear bastante e fazer Yoga (obrigada pela ajuda Mariana!!!)... e para preparar a grande chegada!
Apesar das contracções intermitentes e mais ou menos fortes desde as 22 semanas a minha gravidez prolongou-se até ao dia em que fazia 42 semanas. As luas iam passando e já toda a gente andava muito ansiosa, principalmente a família mais chegada e a médica que achava que eu não devia esperar para além das 41 semanas. Eu tentava manter-me calma, convicta de que a Matilde saberia quando chegasse a hora. E não tinha pressa porque estava a adorar estar grávida (nunca me tinha sentido tão bonita apesar do inevitável inchaço). Por isso fui resistindo às pressões para induzir o parto e tentando acalmar os familiares mais próximos.
Durante a gravidez a minha linda Doula Lia manteve-me sempre informada, emprestou-me livros, aconselhou-me sites e respondeu tantas vezes àquelas dúvidas do “será normal” de quem estava a viver uma gravidez pela primeira vez. A médica e a D. Glória também me iam tranquilizando sempre que iam vigiando e diziam que o meu corpo se estava a preparar, devagarinho... As ecografias e o ctg também indicaram sempre que a Matilde estava bem. E eu sentia que assim era e que estava tudo bem. Entretanto a Matilde para me descansar ia-se mexendo sempre muito mesmo até ao final da gravidez. E íamos comunicando com sinais e palavras de amor. Até lhe escrevi uma carta a dizer o quanto era bem vinda e que esperava com muita atenção e carinho a sua chegada.

O grande dia
No dia 28 de Setembro resolvi ir a Belém mais o meu amigo João passear e comer pastéis com muita canela (para ajudar a coisa a desenvolver, segundo a Lia!). Já há alguns dias que as contracções andavam mais ritmadas sobretudo ao final da tarde, mas depois descansava e passavam. Também já há duas semanas que andava a deitar o rolhão aos pouquinhos e o colo do útero a fazer o apagamento... E a D. Glóra tinha visto que o meu colo já estava maduro e que viessem as contracções... Já em casa comentei pela net com o João que achava que naquele dia algo estava diferente. Tinha pensado ter comigo a minha irmã, a minha mãe, o João, a Márcia, para além da Lia e da D. Glória e toda a gente estava mais ou menos de prevenção... Apesar de que conforme os dias passavam ia ficando com a sensação de que não iria querer ter tanta gente e tinha conversado sobre isso com a Lia.
Recordo que nesse dia me sentia especialmente calma e radiante. Arrumei umas coisas, telefonei a amigos e por volta das 11 da noite apercebi-me de que a última contracção tinha sido meia hora atrás e que estavam a ser diferentes... mais expressivas... Fui estando atenta e por volta da uma da manhã liguei à Lia a dizer que achava que estava em trabalho de parto declarado por causa das contracções e do corrimento com sangue que tinha. Ela disse que ia arranjar tudo e pôr-se a caminho. Eu ainda disse que se ela achasse cedo para dormir mais um pouco e vir depois. Estava com contracções de 15 em 15 minutos. Nesse momento sentia-me um pouco apreensiva por estar sozinha e cada vez que tinha uma contracção ficava com algum calor e suava um pouco mas achava que não era uma dor forte, era interessante e estava muito contente e ia conversando com Matilde acerca de ela se ter decidido a sair do ovo. Fiz chá de cidreira com canela e esperei. Quando a Lia chegou, por volta das 2 e meia, já as contracções estavam de 5 em 5 minutos. Que bem me soube o abraço que ela me deu ao chegar. Falámos um pouco sobre o que eu queria e quem queria que ela avisasse e quando, bebemos chá e depois a Lia deixou-me concentrada no meu trabalho e ficou a ler um livro, sempre atenta. Foi-me dando almofadas, cobertores, chá... Ia tendo ora frio ora calor, às vezes sede... Entretanto as dores deixaram de ser na barriga e passaram a ser nos rins. Deviam ser umas 3 e tal da manhã e a partir daqui deixei de pensar nas horas. As dores eram agora bem mais intensas e a Lia tentava aliviar-me com massagem e a almofada de caroços de cereja quente. A Lia preparou-me um banho quente o que me relaxou um pouco apesar de não conseguir arranjar muito bem posição pois as contracções eram praticamente seguidas. E assim fui andando pela casa, levantando os joelhos, fazendo oitos com as ancas, pondo-me de cócoras, de gatas, apoiada na bola de ginástica, na cama, no sofá e tentando sempre respirar e levar a respiração à dor para aliviar e manter a Matilde bem oxigenada e ajudá-la a abrir caminho pró novo mundo. Entretanto a inevitável má disposição e as constantes idas à casa de banho... Pouco depois as contracções eram praticamente seguidas e com a duração de 1 minuto por isso decidimos chamar a D. Glória, que nos disse que lhe parecia que ainda iriam demorar. Passadas umas horas eu achava que estava muito adiantada e insistimos com a D. Glória para vir. Quando a D. Glória chegou já era de dia e para meu desespero ainda só tinha 2 dedos de dilatação. Nessa altura achei que não iria aguentar o resto mas fiquei feliz quando a D. Glória me disse que apesar de cansada a Matilde estava com os batimentos cardíacos muito bons. A Lia apelava a que eu visualizasse o meu corpo a abrir para deixar passar a minha menina e dizia-me palavras de carinho e encorajamento, agora auxiliada pela D. Glória, que elogiava o meu esforço A certa altura numa das muitas idas do quarto para a casa de banho rebentou a bolsa das águas. Sorte que o meu chão é de mosaico... E lá vai a Lia, já com a sua barriga bem grandinha da Jasmim, de esfregona em punho... A partir daí praticamente não consegui sair da casa de banho, com a Lia ao lado a dar-me a mão (que apertei tanto!) e a D. Glória foi vendo a evolução ali mesmo. Passou-se o que me pareceu uma eternidade até sentir uma vontade de fazer força primeiro pouco definida e depois sem margem para dúvidas. Aí as dores pararam e decidi ir para o quarto, onde queria que a Matilde nascesse. A D. Glória tinha preparado umas almofadas na cama para me recostar e poder assim auxiliar a saída da Matilde de modo a que eu não lacerasse o períneo mas eu percebi que não era aquela posição que o meu corpo pedia e preferi ficar ao lado da cama ajoelhada no chão, abanando as ancas conforme sentia que ajudava a Matilde a descer o canal. Sentia-me capaz de eu própria auxiliar e estava extraordinariamente confiante na sabedoria do meu corpo e na da Matilde. Nesta altura pedi à Lia que chamasse a minha mãe para que ela pudesse ver a Matilde nascer. Mais algumas contracções e ia respirando fundo, prendendo o ar, fazendo força (como a D. Glória me tinha aconselhado) e sentindo a Matilde a aproximar-se da saída até lhe conseguir tocar o topo da cabeça. De repente as contracções pareceram parar e fiquei um pouco confusa sobre o que havia de fazer. Sentia vontade de continuar, queria a minha Matilde cá fora e perguntei à D. Glória se podia fazer força sem a contracção. Ela disse que se conseguisse podia. Eu sentia-me lúcida e relativamente pouco cansada (dadas as circunstâncias) por isso fiz força e a cabeça saiu quase toda. Nesta altura apeteceu-me pôr-me de cócoras virada para a D. Glória, encostada à lateral da cama e apoiada na Lia e na minha mãe, uma de cada lado. Nessa altura senti-me um pouco desorientada e cansada mas D. Glória disse que agora tinha que fazer a força final porque a Matilde estava ali mesmo a sair e tinha que a ajudar e foi o incentivo que precisei para que uma linda menina de olhos bem abertos, com muito cabelo, 49 cm e 3,300 kg voasse literalmente para as mãos da D. Glória, às 12 h e 54 min. do dia 29 de Setembro de 2007. E aí sorri por dentro e por fora como nunca tinha sorrido. O que tinha sido mais de uma hora de período expulsivo pareceu-me alguns minutos.
Depois o primeiro susto, a Matilde demorou alguns segundos a respirar e a chorar e esses segundos pareceram-me uma eternidade e incentivei-a com palavras de um amor que nunca tinha sentido. E percebi aí a dor de ser mãe. Percebi que a minha vida e o meu mundo eram dela. É uma sensação que não consigo traduzir nem com todos os adjectivos do mundo e que penso que é a que une todas as mães do mundo.
Quando ela respirou e chorou e cortaram o cordão e ma deram abracei-a e cheirei-a e reconheci-a. E senti uma alegria imensa. Dei-lhe de mamar um bocadinho mas ela estava cansadita e apesar de pegar muito bem na mama não quis comer muito.

Entretanto a placenta demorou mais de uma hora a nascer. A D. Glória estava a ficar um pouco preocupada e tentou auxiliar mas a placenta estava ainda muito agarrada e eu não quis que ela forçasse e preferi que a Matilde tentasse mamar mais um pouco. E com esta ajuda preciosa, mais duas contracções e saiu uma placenta inteirinha. Fiquei contente por não ter lacerado o períneo (benditas massagens!).
Entretanto a Lia e a D. Glória lavaram e vestiram a Matilde, enquanto eu descansava um pouco e começava a sentir as dores de contracção do útero (que se prolongaram durante 4 dias sempre que a Matilde mamava). Como o trabalho de parto foi longo e apesar de me terem dado chá de cidreira com mel sentia-me um pouco fraca e esfomeada mas estava maravilhada a olhar para a minha filhota linda. Foi tão bom poder estar com ela no nosso quarto sem pressas, sem correrias, com as pessoas que queria que estivessem. Recordo-me de ter pensado que num hospital não teria conseguido fazer o que fiz. Lembro-me que agradeci à Matilde por ter sabido nascer de uma forma tão fantástica.
Sinto-me ainda hoje e para sempre grata a todos os que me acompanharam e apoiaram, família e amigos, mas especialmente à Lia e à D. Glória por terem sabido estar lá para mim sempre que precisei e sem nunca se imporem nem invadirem o meu espaço. Foram fabulosas e fundamentais! Foi também muito importante tudo o que li tanto em livros como em sites e tudo o que aprendi com o grupo de discussão das Doulas e o site da Humpar. Desejo a todas as futuras mães que possam saborear assim a sua gravidez e o seu parto, decidindo informadas e conscientes sobre o caminho que querem e seguras de que são capazes.
Obrigada Matilde por me teres escolhido para tua mãe e obrigada mãe natureza pela tua sabedoria.

Lilypie 2nd Birthday Ticker Lilypie Amamantar Ticker Lilypie Primer Ticker

Digo NÃO!

Digo NÃO!

Digo SIM!

Digo SIM!

Mama Sutra

Mama Sutra